16 fevereiro 2007

Ana Cristina Souto

Foto: Anne Brigman


Enfim

Pelos privilégios de suprema covardia
estilhacei minha imagem 7 vezes:

lamúria dos espelhos!

Foi-se embora o reflexo do tempo
o ódio às rosas espinhetas
sufoquei todos os escaravelhos.

Então,
como se fosses
brilhe morno desse sol
dos ventos alísios
e infinitamente distante
à minha fronte
meus claustros olhos
não deteram-se
- aos teus cabelos de prata.

Tiraste-me todos os véus
dos grilhões de minha amargura.

Não importa que eu sejas a primeira;
basta-me ser tua última!

Dos teus rochedos
que ergueram minhas ruínas;
toquei as estrelas
- ou seria o dedo Dele?

Enfim, capte-me
sem tortura de êxtases;
nos ventos das canções nos trigais
ou na penumbra vilã desses instantes;
- das mãos que desvendam os segredos das almas.




1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

"- das mãos que desvendam os segredos das almas."

já desejei tocar as estrelas
já desejei sentir os meus dedos na face de deus... quando senti ele figurado na face de um ser aqui na terra para desvelar os segredos da sua alma... e senti senão a minha alma aprisionada, a tentar e a tentar se revelar a quem tanto desejou tocar.
um abraço e um sorriso!
poeta da lua

17 fevereiro, 2007 06:34  

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