Ana Cristina Souto

Em ti
Em ti
minha voz tempestuosa
encontra paz
dos teus anseios lavrados.
Em ti
descobri o silêncio duro
que renega como escudo
à minha tola intrepidez.
Em ti
pus amarra nos punhos
sacrifiquei tua doçura
para manter-me dignamente pura.
Em ti
morri e removi montanhas
talhei em mármore teus olhos claros
que reluzem o pó do meu tesoiro.
Em ti
Ah! Em ti!
Amei-te como quem lava um leproso
e das fímbrias do meu ser
lambi tuas feridas e entranhas
cuspindo o mal à tua cura.
Em ti
ressurjo poisando no cimo
das tuas costelas
que as dedilho brincando
num ábaco
enumerando as meias-verdades
revelando a brisa passada
no dia em que contavas
tuas sublimes sardas.
Em ti
não há estação que adorne
a saudade do turbilhão
dos beijos que ora me deste.
Em ti
foram as maçãs do teu rosto
que comi pecaminosamente
sem remorso aparente
matando a fome do meu ventre.
5 Comments:
Linda poesia ,Ana!!!
Não conhecia teu blog.Agora que sei o caminho ,irei dissecá-lo!!
bjs!
nooossa! como sempre, um poema voluptuosamente visceral!
bela vc!
sua pegada é forte, com toda a brandura como pano de fundo.
bacio, ragazza.
Na nota lá
um dedo mexe os lábios
e o sol brame.
te abraço
sedutora mulher.
POESIAS "CLEANS", LIMPAS , CLARAS.
POESIA DA ALMA
POESIAS QUE SEMPRE PROCURAMOS
POESIAS QUE ESTÃO TODAS AQUI
OBRIGADA AMÉLIA
Recebi um livro do Rogério da PP-orkut onde o título era EM TI.
E dentro a sua poesia deslumbrante.
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