01 dezembro 2006

Ana Cristina Souto

Venus Dormindo (1944), de Paul Delvaux.















C´est la Vie


Quando te vi a vez primeira
já o tinha em meus olhos;
teu perfume, essência inconfundível,
inebriava-me as entranhas.

Teu olhar
azul-violeta,
tal a calmaria do mar
após uma noite de tormenta.

O encanto flutuava pelo espaço sideral
à luz do luar — descalços e bêbados
balbuciávamos palavras etéreas

Eu, distraída
dispersei o teu fascínio em mim
em breves instantes de arrebatamento.

A paz morta pelo ciúme,
encruzilhadas... Desencanto.
Ansiosa minha alma te reclamava.

Ah! Fosse meu o teu último alento!

Tua lembrança ...
surges nos lampejos
como um astro desponta no firmamento

Eu te perdi!
e recrimino a delinqüência quase juvenil.

Ah! Mas o triunfo do tempo...

Queria dar-te mais que poesia
mas foste por atalhos
e me restou dorida consolação.
Hoje te dou meu lamento;
estendo-te a mão, em cumprimento banal.

E te foste como se vão os dias
longos e enfadonhos de inverno;
e vivi tantas vidas!
Em vão!

Obsessão!

Fecho os olhos
para não ver teu rosto
perpetuado em outros rostos.

Inútil!

Vejo-te com teus olhos de mar
e teu perfume mediterrâneo
até no silêncio dos meus sonhos.

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