23 agosto 2006

Charles Baudelaire

Tradução: Teófilo Dias
O Espectro


Como espectro agoureiro, hei de, escondido,
Entrar na tua alcova silenciosa,
Deslizando sinistro, sem ruído,
Com as sombras da noite pavorosa.

E a tua branca espádua hei de afagar,
Como a serpente a pedra de um sepulcro,
E hei de imprimir-te ao corpo esbelto e pulcro
Os meus beijos, mais frios que o luar.

Ao repontar a lívida alvorada,
Encontrarás o meu lugar vazio,
E hás de senti-lo abandonado e frio,
Até surgir a noite, ó minha amada.

Sôbre a tua atraente formosura,
E a tua bela mocidade em flor,
Como os outros, mulher, pela ternura,
Eu quero dominar pelo terror!

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