23 agosto 2006

Ana Cristina César

Foto: Álbum de Família

SAMBA CANÇÃO


Tantos poemas que perdi,
Tantos que ouvi, de graça
pelo telefone - taí,
eu fiz tudo pra você gostar,
fui mulher vulgar,
meia-bruxa, meia-fera,
risinho modernista
arranhado na garganta,
malandra, bicha,
bem viada, vândala,
talvez maquiavélica,
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras
(era uma estratégia),
fiz comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz...

2 Comments:

Blogger No Escuro said...

Ana Cristina, vc é minha poeta marginal mais perfeita.

Quisera eu ser um pouco de vc!

Dorme em Paz Ana...

Ana Cristina Souto.

03 setembro, 2006 16:48  
Blogger Aline Gallina said...

Calo-me diante de qualquer palavra dela. E juro...seria difícil escolher apenas um de seus escritos. Seria como escolher apenas um dos filhos. Gostei muito do seu blog, dos posts...
Te convido para visitar o meu novo blog que fiz com uma amiga, o Cinco Espinhos. Lá discute-se literatura de forma poética e você está livre para deixar seu comentário. Tem ainda uma enquete que se renova a cada semana. E mais! No Garimpo Literário destacamos um escritor anônimo semanalmente.
Abraço.

11 outubro, 2007 07:33  

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